Requião Filho quer auditoria na Copel e fim de cívico-militares

Requião Filho defende auditoria na Copel e fim das escolas cívico-militares no Paraná

Durante sabatina exibida ao vivo na televisão nesta quarta-feira (16), o candidato ao governo do Paraná nas eleições de 2026, Requião Filho (PDT), declarou que pretende realizar uma auditoria rigorosa na Copel caso seja eleito, além de encerrar o modelo de escolas cívico-militares no estado.

Fiscalização da Copel e parcerias federais O político criticou os rumos tomados após a desestatização da companhia energética e defendeu uma atuação firme do poder público para garantir que a empresa volte a priorizar os interesses da população paranaense.

“Ela deve atender ao interesse público do Paraná e a gente pode, sim, ir para cima dessa empresa com seriedade, fiscalizando e cobrando também da Aneel uma maior seriedade em relação ao Paraná”, argumentou.

Para viabilizar mudanças na gestão da empresa, o postulante ao Executivo estadual sugeriu que o governo compre ações da companhia com o respaldo de órgãos federais, citando o envolvimento do BNDES nesse processo.

Polêmica com as escolas cívico-militares Outro ponto central da entrevista foi a educação pública. O candidato afirmou categoricamente que vai extinguir o formato cívico-militar nas instituições de ensino paranaenses, classificando a iniciativa como uma medida sem impacto pedagógico real.

Para Requião Filho, “não há diferença palpável” no currículo das escolas cívico-militares e das normais, e que o projeto se trata de uma “propaganda ideológica”.

Série de sabatinas com os candidatos A entrevista integrou a rodada final de conversas promovida por uma emissora afiliada da Rede Globo com os nomes mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio Iguaçu. Antes dele, Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD) também participaram das sabatinas ao vivo.

Alianças políticas e divergências Questionado sobre sua saída do PT em 2024 e a atual composição de sua coligação, que reúne diferentes siglas partidárias, o político pontuou que o debate democrático é saudável, mesmo diante de discordâncias passadas.

“Mantenho as críticas que fiz ao Governo Federal lá atrás. E tenho certeza de que o PT também tem críticas ao Requião Filho. Mas nós convergimos muito mais no que diz respeito a cuidar de pessoas, a ter vacina, saúde pública, educação pública. Então as críticas são mantidas e isso chama-se democracia. A gente consegue ter ideias diferentes, divergir, conversar e construir”, argumentou.

Além disso, ele garantiu que eventuais nomeações para secretarias estaduais priorizarão a competência técnica em detrimento de acordos partidários: “Não vou nem perguntar o partido, vou perguntar se tem capacidade de estar à frente da secretaria”, disse.

Outros temas debatidos O sabatinado também respondeu a questionamentos sobre o escândalo do INSS envolvendo o presidente nacional de seu partido, Carlos Lupi.

Requião respondeu que, em 2019, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, que agora é candidato ao governo do Paraná pelo PL, foi avisado dos desvios no INSS, mas que “nada fez para investigar”. Requião Filho justificou ainda que na gestão do presidente Lula (PT) e de Lupi “esse escândalo foi investigado e trazido à público”. O candidato frisou que defende que, caso haja denúncia, é preciso investigação e que “não passa pano para ninguém”.

Sobre o uso de placas reservadas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado argumentou que seguiu a legalidade vigente. “Todos os membros da mesa receberam”, disse. E complementou: “não era a favor e nem contra, porque foi uma lei aprovada. Lei aprovada, benefício cedido a todos. Lei revogada, benefício cassado. Acho que a gente trabalha dentro da legalidade. Seria um benefício se fosse para um, para dois, mas era para a mesa toda”.

O candidato também comentou sobre seu posicionamento favorável à posse e ao porte de armas, divergindo de partidos aliados. “Antes de mais nada, vem a minha consciência. Eu tenho porte de arma e venho de uma família de colecionadores. Seria hipócrita mudar o discurso”, explicou.

Em relação à segurança das eleições, defendeu a implementação do voto auditável por meio de impressão de comprovantes nas urnas eletrônicas. “Não é, necessariamente, a volta daquele votinho só no papel. É um projeto, inclusive do Roberto Requião, que passou lá atrás no Senado, onde a urna eletrônica imprimiria um comprovante, e esse comprovante cairia em outra urna, um caixote, para que, se fosse necessário, houvesse depois uma conferência”, disse.

Por fim, o concorrente ao governo estadual criticou prioridades em investimentos na região litorânea e defendeu maior atenção ao saneamento e à infraestrutura local antes de grandes obras viárias ou eventos festivos.

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