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Minas Gerais: o ponto de partida do golpe de 1964

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O estado mineiro desempenhou um papel central na história política nacional ao servir de berço para a ruptura institucional que instaurou o regime autoritário no país por mais de duas décadas.

A marcha das tropas rumo à capital

Na madrugada de 31 de março de 1964, o general Olympio Mourão Filho mobilizou suas tropas de Juiz de Fora (255 km de Belo Horizonte) em direção ao Rio de Janeiro.

Queda do governo e início do regime

A ação militar precipitou o golpe que depôs o presidente João Goulart e deu origem à ditadura militar, que durou 21 anos.

Ex-ministro de Bolsonaro não votará e cita Flávio

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O ex-ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro, Abraham Weintraub, declarou publicamente que não comparecerá às urnas no segundo turno, cuja votação está agendada para 25 de outubro, mantendo assim a mesma postura de abstenção adotada durante o primeiro turno do pleito.

Posicionamento político e ausência no pleito

A decisão de se abster do processo eleitoral marca mais um capítulo no distanciamento entre o antigo integrante da gestão federal e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Críticas e suspeitas levantadas

Além de confirmar que ficará longe das urnas, o ex-ministro aproveitou a ocasião para mencionar supostos atos ilícitos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, justificando parte de seu descontentamento com os rumos da ala política.

Com essa postura, o cenário eleitoral ganha novos contornos de divisão entre antigos aliados do governo anterior, evidenciando fissuras profundas na base conservadora que se formou nos últimos anos no país.

A ausência de figuras expressivas nas votações sinaliza mudanças importantes no tabuleiro político nacional e na dinâmica das alianças para os próximos anos.

Escala 6×1: saiba como votaram os senadores do Paraná

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Parceiros na aprovação, parlamentares do estado registraram posições distintas durante a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o modelo de trabalho de seis dias por um de descanso, realizada nesta quarta-feira (14).

Posicionamento da bancada paranaense

Dos três representantes do Paraná no Senado Federal, dois apoiaram a medida. Tanto nos dois turnos de votação quanto na totalidade do processo, os senadores Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB) votaram a favor do texto.

Por outro lado, o senador Sergio Moro (PL) registrou presença na sessão legislativa, mas optou por não registrar voto em nenhuma das etapas.

Placar nacional e regras da nova jornada

Em âmbito geral, a proposta obteve 75 votos favoráveis e apenas 1 contrário em ambos os turnos de votação no plenário.

O único voto desfavorável ao texto partiu do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Como se trata de uma alteração na Constituição Federal, o texto exigia o apoio mínimo de 49 parlamentares. Para agilizar os trâmites, os dois turnos foram realizados no mesmo dia.

O que muda para os trabalhadores

Com a aprovação, a medida altera a carga horária semanal máxima de 44 para 40 horas. Além disso, a regra assegura obrigatoriamente duas folgas remuneradas semanais aos empregados, sendo exigido que pelo menos um desses dias de descanso ocorra preferencialmente aos domingos, sem qualquer prejuízo ou redução nos salários.

Hotéis de Ponta Grossa se unem em ação de Dia das Crianças

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Hotéis de Ponta Grossa se uniram em uma mobilização inédita para celebrar o Dia das Crianças Solidário, realizada no último dia 8 de outubro. A iniciativa beneficiou mais de 100 menores atendidos pela Aldeia da Serra e pelo Núcleo Pequeno Anjo, proporcionando uma experiência repleta de alegria, acolhimento e esperança.

União do setor hoteleiro

Participaram do projeto o Hotel Ibis, Luds Hotel, Barbur Center Hotel, Hotel Planalto, Premium Vila Velha e Hotel Princess. Juntas, as equipes somaram forças e recursos para estruturar toda a programação festiva voltada para comunidades em situação de vulnerabilidade social na cidade paranaense.

Atividades e doações

A programação incluiu café da manhã especial, brincadeiras recreativas, pintura facial e a distribuição de presentes. O grande diferencial da mobilização foi que todas as despesas, insumos, alimentos e brinquedos foram custeados integralmente pelos próprios empreendimentos, sem campanhas de arrecadação externas com a comunidade.

Origem do projeto coletivo

A ideia inicial partiu do Hotel Ibis, que pretendia realizar uma ação beneficente isolada. No entanto, após diálogos com gestores de outras empresas do ramo, constatou-se um objetivo comum de ajudar a sociedade, transformando o plano individual em um evento unificado de grande porte para a região.

Segundo a gerente do Hotel Ibis, Juliana Schmidt, a ação foi marcada por momentos de grande emoção para todos os envolvidos.

“É uma alegria que enche o coração poder proporcionar um momento especial para essas crianças em uma data tão simbólica. É a nossa forma de semear um futuro melhor, com mais respeito e acolhimento.”

O sucesso do evento reforça a importância da responsabilidade social corporativa e prova que a atuação conjunta do empresariado pode gerar impactos extremamente positivos no desenvolvimento humano e na construção de uma comunidade mais justa.

Estado brasileiro pede desculpa a ex-PM torturado para confessar crime

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O Estado brasileiro assumiu a responsabilidade por graves violações de direitos humanos e formalizou um pedido de desculpas ao ex-policial militar rodoviário Gerson Milusk de Carvalho, que havia sido preso e condenado por um crime cuja confissão foi obtida mediante tortura.

A reparação histórica no Paraná O ato solene aconteceu no município de Pitanga, localizado na região central do Paraná, atendendo a uma recomendação emitida pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão autônomo vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA). A instância internacional atua recebendo denúncias contra Estados e propondo medidas de reparação às vítimas.

A denúncia teve início em 2003, quando o ex-policial enviou à corte internacional um relato manuscrito denunciando abusos de poder, violação ao direito de defesa e agressões físicas e psicológicas durante o período em que esteve detido.

Condenação e reviravolta jurídica Gerson Milusk de Carvalho foi acusado de envolvimento no homicídio de Wilson Schon e Irene Maria dos Santos, registrado em março de 1995, também em Pitanga. No ano de 1997, recebeu uma sentença de 26 anos de reclusão, cumprindo pelo menos nove anos da pena, embora tenha rejeitado qualquer participação no delito desde o início.

De acordo com o dossiê encaminhado à CIDH, o ex-PM foi detido sem mandado judicial e submetido a métodos brutais de coação, incluindo cárcere privado, choques elétricos, afogamentos simulados e sessões no “pau de arara”. Sem acesso a advogado no momento das declarações, as provas forçadas serviram de base para a condenação. Em 2014, a comissão solicitou a revisão do processo, culminando no reconhecimento oficial da inocência 12 anos depois.

Durante a cerimônia, autoridades reconheceram os danos profundos gerados à vítima e seus familiares, firmando o compromisso de aprofundar as investigações para identificar os verdadeiros executores e adotar salvaguardas contra abusos futuros. A anulação da sentença, contudo, não ocorre de forma automática, exigindo trâmites conduzidos pelo Ministério Público.

“Além de uma indenização para a família e para o Gerson, a sociedade também ganha. Há uma cláusula de fortalecimento da Defensoria Pública, também vai ser expedida uma nota técnica para a Assembleia Legislativa para que haja aprovação do comitê de combate à tortura. A ideia é que outros Gersons não existam. É uma vitória para a sociedade, porque a gente também discute uma nova postura”, comemora o defensor público Carlos Eduardo da Silva.

A jornada na biblioteca e a luta familiar Enquanto cumpria pena, Milusk atuou na biblioteca da unidade prisional e encontrou nos compêndios jurídicos o caminho para contestar a própria condenação.

“Comecei a estudar e vi que o artigo quinto da Constituição Brasileira diz que todas as provas obtidas ilicitamente são nulas. Eu comecei a estudar os livros para fazer os meus recursos, porque eu não tinha dinheiro para pagar um advogado. Eu escrevi para vários órgãos, para várias instituições… Cheguei à Comissão Interamericana depois de ler o Pacto de San José da Costa Rica. Escrevi a carta à mão e pedi para minha esposa levar no Correio”, detalha Milusk.

Mais de duas décadas após o envio da correspondência, o ex-policial descreve sentimentos contraditórios diante da reparação oficial.

“Ficar longe da família é a pior coisa que existe no mundo. Na época, eles eram todos crianças e isso me dói muito. Me sinto aliviado agora, com a consciência tranquila. Foram 31 anos, né, 7 meses e 7 dias. Eu trabalhou mais de 15 anos na polícia militar, nunca tirei a vida de ninguém e agora eu posso provar minha inocência”, desabafa Milusk.

Para Joicy Martins Carvalho, filha do ex-militar, a resiliência do pai foi o pilar que sustentou o núcleo familiar diante das adversidades.

“Foi muito difícil, eu falo que foi um filme de terror, porque foi atrocidade atrás de atrocidade. Mas a persistência do meu pai sempre manteve nossa família e a gente conseguiu seguir em frente pela persistência dele. Pai, eu admiro muito a sua luta. Eu sei que foi muito injusto tudo o que aconteceu com o senhor e com nossa família, mas não foi em vão. Que seja simbólico, para que não aconteça com outras famílias tudo o que aconteceu com a gente”, afirma.

Conexão com métodos violentos do passado Conforme o relato do ex-policial, os responsáveis pelas agressões faziam parte do Grupo Águia, uma unidade da corporação paranaense voltada ao combate ao crime organizado.

“Fiquei três dias sendo torturado por eles. Desmaiei por várias vezes no ‘pau de arara’. Eles ameaçavam que iam me matar, porque, se eu não assumisse [o crime], iam avisar a família que eu tentei fugir, mas eu falei: ‘Não devo nada, nem sei'”, relembra Milusk.

Entre os oficiais apontados nas sessões de tortura estava o tenente-coronel Valdir Copetti Neves, que também integrou investigações do célebre Caso Evandro, ocorrido em Guaratuba em 1992. O oficial foi acusado de coordenar coações físicas contra acusados daquele processo, cujas condenações foram anuladas décadas mais tarde após a revelação de fitas com gravações de abusos.

“Você percebe que, no período de violência, tanto do Gerson quanto do Caso Evandro, a tortura era um método bastante e costumeiramente utilizado aqui para obter prova de forma ilícita e condenar pessoas inocentes”, detalha o defensor público Carlos Eduardo da Silva.

Copetti Neves acumulou condenações posteriores por crimes como formação de quadrilha e tráfico de armas, vindo a ser assassinado em uma emboscada no ano de 2018.

Posicionamento das instituições A Procuradoria-Geral do Estado destacou que a retratação pública representa um mecanismo de reparação simbólica frente às graves violações perpetradas, reforçando o alinhamento do país com os direitos humanos. A Defensoria Pública classificou o evento como um divisor de águas e prometeu seguir vigilante nos âmbitos cível e criminal, enquanto o Ministério Público local reiterou o apoio na revisão judicial da pena e no aprimoramento institucional para evitar novas falhas sistêmicas.

Professores atravessam rio de barco após chuvas no PR

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Moradores e profissionais da educação de Mirador, no Noroeste do Paraná, precisaram utilizar uma embarcação disponibilizada pela prefeitura para conseguir entrar e sair do município nesta quinta-feira (15), data em que é celebrado o Dia dos Professores. A situação ocorreu devido à elevação do nível das águas, que encobriu rodovias estaduais essenciais.

Impacto nas rodovias e rotas alternativas

Com o transbordamento do Rio Ivaí, córregos da região saíram de seus leitos normais e invadiram as pistas da PR-559 e da PR-180, principais vias de acesso à cidade, deixando o local completamente ilhado. Uma rota alternativa por meio do distrito de Quatro Marcos também foi comprometida, apresentando condições precárias de trafegabilidade em decorrência do alto volume de precipitações.

O desafio dos educadores

A professora da rede estadual Regina Soares relatou à emissora local que a comunidade escolar já precisou recorrer a esse tipo de transporte em outras ocasiões devido a alagamentos recorrentes na área.

“Esse é o obstáculo que a gente enfrenta para atender nossos alunos. A gente enfrentou fazer esse trajeto de barco outras vezes e estamos aqui novamente. Não tem o que fazer, são forças da natureza”, disse Regina.

Previsão do tempo e medidas da prefeitura

A administração municipal informou que o serviço de travessia fluvial continuará operando ao longo do dia. A prioridade da gestão será realizar reparos na estrada do distrito de Quatro Marcos assim que as precipitações terminarem, com o objetivo de prevenir novos problemas logísticos.

Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), o nível da água começou a recuar na tarde desta quinta-feira, embora o volume ainda seja insuficiente para liberar o tráfego de veículos nos trechos alagados. Enquanto isso, o Climatempo prevê novas pancadas de chuva para o período noturno na cidade, com um acumulado estimado em 4,6 milímetros.

Homem é preso após agredir avó com tijolo no PR

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Um homem de 32 anos foi detido em Mandaguari, município localizado no Norte do Paraná, na tarde desta quinta-feira (15), sob a acusação de agredir violentamente a própria avó, uma idosa de 79 anos.

O ataque com tijolo

A violência ocorreu após a avó tentar confiscar um cigarro de maconha do neto para evitar que ele fizesse o uso do entorpecente. Diante da atitude da idosa para impedir o consumo da droga, o suspeito desferiu golpes na região da cabeça dela utilizando um tijolo.

Socorro médico e prisão

Imediatamente após a agressão, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado para prestar os primeiros socorros à vítima. A mulher foi encaminhada ao Pronto Atendimento Municipal (PAM) de Mandaguari e, conforme as informações médicas, seu estado de saúde é considerado estável.

Confissão do suspeito

Agentes da Polícia Militar do Paraná (PM-PR) atenderam à ocorrência e localizaram o agressor ainda nas proximidades do local do crime. Durante a abordagem, o indivíduo confessou a agressão contra a familiar.

Após receber voz de prisão, o homem foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil da cidade, onde permanece à disposição da Justiça para os procedimentos legais cabíveis ao caso de violência doméstica.

Vereadora propõe campanha Outubro Rosa Pet em Pato Branco

Projeto de lei prevê ações anuais de prevenção ao câncer de mama em cadelas e gatas durante outubro

A vereadora Thania Maria Caminski Gehlen (PP) protocolou na terça-feira (13) o Projeto de Lei nº 186/2026, que cria a campanha Outubro Rosa Pet em Pato Branco. A ideia é alertar tutores sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama em cadelas e gatas, todo ano, no mês de outubro.

O texto foi enviado ao presidente da Câmara, Joecir Bernardi, e ainda precisa passar pela análise dos vereadores. Se aprovado, a campanha entra no Calendário Oficial de Datas e Eventos do município.

O projeto lista sete objetivos. Quatro tratam da saúde das fêmeas: informar sobre a incidência da doença, estimular consultas veterinárias periódicas e a observação das mamas dos animais, defender a castração com orientação de médico-veterinário e alertar para os riscos do uso indiscriminado de anticoncepcionais hormonais. Os outros três falam de guarda e adoção responsáveis, divulgação dos serviços públicos de castração e atendimento veterinário, e participação da sociedade civil.

Entre as ações possíveis, o texto cita materiais educativos, palestras e a divulgação dos sinais de alerta: nódulos, inchaços, secreções e feridas nas glândulas mamárias. Clínicas, instituições de ensino, veterinários e ONGs de proteção animal poderão aderir de forma voluntária.

O artigo 6º deixa claro que nada disso obriga o Executivo a criar estrutura nova ou serviço novo. As ações dependem das competências de cada órgão e da disponibilidade de recursos.

Na justificativa, a vereadora diz que muitos tutores não reconhecem os primeiros sinais da doença e acabam procurando atendimento tarde. O documento cita como inspiração a Lei Municipal nº 16.550/2025, de Curitiba, que instituiu campanha semelhante para cães e gatos.

Transição de governo: Ratinho Junior e Sergio Moro se reúnem no Palácio Iguaçu

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O governador Ratinho Junior e o senador Sergio Moro (PL-PR) se encontraram nesta quinta-feira (15), no Palácio Iguaçu, pela primeira vez depois da eleição. A reunião, de cerca de 40 minutos, marca o início da transição entre os dois governos.

Ratinho estava acompanhado do chefe de gabinete, Daniel Vilas Boas, e do vice-governador, Darci Piana. Moro levou apenas Lucas Alves de Lima Barros de Góes, servidor federal que hoje chefia seu gabinete no Senado e deve exercer a mesma função no Palácio Iguaçu.

O clima foi cordial, apesar de algum desconforto no início. A campanha teve momentos ríspidos, com ataques mais duros partindo da equipe do 55, número de Moro.

Ratinho designou Vilas Boas como ponto focal da transição e colocou o Chapéu Pensador à disposição como base de trabalho da equipe de Moro. Segundo a apuração, o senador deixou claro que só ele e Lucas Góes estão autorizados a tratar do assunto.

“Foi uma reunião importante e produtiva com o governador Ratinho Junior, a primeira após a eleição, para alinharmos os trabalhos da transição.”

“Nosso objetivo é conduzir esse processo com diálogo, responsabilidade e transparência, garantindo todas as informações necessárias para preparar o novo governo e assegurar a continuidade dos serviços à população paranaense. Agradeço ao governador pela disposição em colaborar”, disse Moro.

Um decreto com as regras da transição deve ser publicado para formalizar as equipes, os procedimentos e a organização dos trabalhos.

Governo do Paraná cancela 445 prioridades abertas para municípios e suspende outras 304

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A Secretaria de Estado das Cidades (Secid), comandada por Fernando Giacobo, cancelou 445 prioridades abertas e suspendeu outras 304. Somadas, elas chegam a R$ 1,3 bilhão, segundo informações obtidas pelo Politicamente.

As canceladas são de 2022, 2024 e 2025. A justificativa é que os municípios não apresentaram os projetos. As suspensas, de janeiro a abril de 2026, também ficaram sem a documentação completa. Como foram suspensas, e não canceladas, podem ser retomadas ou canceladas depois.

A notícia chegou a prefeitos aliados do Palácio Iguaçu, que se dizem apreensivos. Muitos gastaram dinheiro para elaborar projetos que agora não terão continuidade.

“Vai ficar muito ruim para nós prefeitos se esses projetos não saírem do papel agora. Se não honrarem com o que combinamos, nós estaremos em situação delicada perante a nossa população”, disse um prefeito, que não foi identificado.

Cobrança sobre a AMP

Segundo um prefeito de pequena cidade, Marcel Micheletto, prefeito de Assis Chateaubriand e presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), vem sendo cobrado em grupos de WhatsApp. Ele teria dito que tenta uma reunião, pela AMP, com Giacobo e com o chefe da Casa Civil. O mesmo prefeito afirmou que Micheletto chegou a fazer financiamento para pagar a contrapartida de projetos prometidos.

Sem força jurídica

As prioridades abertas não têm valor jurídico. Funcionam como um sinal verde para que as prefeituras avancem na documentação e na preparação das licitações. O desgaste, portanto, é político.

O Palácio Iguaçu já monitorava a insatisfação dos prefeitos antes do período eleitoral. Na época, o então secretário Guto Silva, pré-candidato ao governo, percorreu o estado prometendo obras e abrindo prioridades. Comentava-se que elas passavam de R$ 10 bilhões. Guto acabou preterido por Sandro Alex.

Na quarta-feira (14), na Assembleia Legislativa, o secretário da Fazenda em exercício, Luiz Paulo Budal, disse que todos os convênios assinados serão honrados e que os recursos estão garantidos. Diferentemente das prioridades abertas, o não pagamento de convênios pode infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O que diz o governo

Em nota, a Secid informou que o cancelamento ocorreu porque os municípios não entregaram, no prazo, a documentação necessária à análise dos projetos. Como não haverá tempo hábil para analisá-la até o fim do ano, a aprovação técnica fica inviabilizada.

A secretaria acrescentou que as solicitações podem ser reavaliadas no próximo ano, desde que os municípios apresentem os documentos.