A Polícia Civil do Paraná aprofundou as investigações sobre a tragédia familiar registrada em um prédio residencial localizado no bairro Água Verde, na capital paranaense.
Dificuldades financeiras no foco da polícia
As autoridades estão apurando o contexto de uma penhora envolvendo o apartamento onde os moradores residiam. Conforme o delegado responsável pelo caso, Ivo Viana, o objetivo principal é descobrir se eventuais crises de ordem financeira e a perda do bem imobiliário podem ter servido de gatilho para o ocorrido.
O imóvel situado no 9º andar passou por um processo judicial decorrente de uma antiga empresa do pai, datado de 2014. O bem foi arrematado em leilão no início de agosto, e um oficial de Justiça havia determinado prazo para a desocupação. A apuração inicial indica que a médica Claudia Hitomi Shimada Furuyama e o filho do casal, o estudante de engenharia Rafael Furuyama, desconheciam a gravidade da perda do patrimônio. Apenas o pai, o engenheiro Marcos Alberto Furuyama, estaria ciente da situação crítica.
Dinâmica e descoberta dos corpos
Os três integrantes da família foram encontrados sem vida no interior do apartamento na tarde de uma terça-feira (25). O alerta foi dado por conhecidos da médica que estranharam a ausência dela no ambiente de trabalho, somado à reclamação de vizinhos sobre o silêncio atípico e o choro incessante do cachorro da residência.
Diante da falta de respostas aos chamados, o síndico acionou um chaveiro para abrir a porta. O local estava completamente trancado por dentro e não exibia indícios de arrombamento.
Peritos identificaram que todas as vítimas apresentavam lesões provocadas por arma branca. Próximo ao corpo de Marcos, os policiais militares recolheram uma faca e um canivete com marcas de sangue, materiais que foram encaminhados para exames periciais a fim de determinar a origem dos fluidos genéticos.
Análise de imagens e exclusão de suspeitos
Os investigadores coletaram registros de câmeras de segurança do edifício para traçar a rotina dos moradores nos momentos que antecederam o caso. O último contato documentado aconteceu no final da tarde de domingo (23), quando Rafael desceu até a portaria para retirar uma encomenda entregue a pedido da mãe.
Com base na análise das gravações e no fato de o apartamento estar trancado sem acesso externo forçado, a hipótese da participação de um indivíduo de fora foi praticamente descartada pelas autoridades policiais.
Inicialmente catalogada pela Polícia Militar como um possível duplo homicídio seguido de suicídio, a ocorrência segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que trabalha para esclarecer minuciosamente a dinâmica dos fatos.