A sucessão familiar rural é o motor que mantém a propriedade da família Casagrande ativa em Barra do Tigre, no interior de Concórdia, em Santa Catarina. O produtor Sérgio Casagrande, de 64 anos, começou a trabalhar na roça ainda na infância e hoje comanda, ao lado da esposa Rosa Maria, de 55 anos, um negócio focado em produção de leite, grãos e avicultura. O próximo passo dessa trajetória já é uma realidade com a presença do filho Mateus, de 28 anos.
Transformação e desafios na produção agrícola
Associado à Cresol Desenvolvimento desde 2003, Sérgio acompanhou a evolução da atividade no campo. Antes concentrada em grãos, a propriedade hoje utiliza a maior parte da colheita para a alimentação animal, tendo o leite como destaque. A avicultura também movimenta a rotina com lotes regulares de aves.
Apesar da modernização com tecnologia no campo e equipamentos que elevaram a produtividade, o volume de trabalho aumentou. “A gente vê que a propriedade teria que crescer ainda, que teria algumas coisas para agregar. Só que a mão de obra hoje é o problema. Por Enquanto, a gente vence, mas está no limite. Se crescer, vai ter que contratar”, explica Sérgio.
O papel da nova geração no campo
Desde pequeno, Mateus demonstrou forte afinidade com máquinas agrícolas e com a lavoura, preferindo ajudar no trator a cumprir outras atividades na juventude. “Eu sempre gostei de maquinário e de roça”, conta. Hoje, ele compartilha a gestão e a execução dos serviços com os pais e com a esposa, Tainá.
A chegada recente do pequeno Yuri, filho do casal, adicionou uma nova geração à propriedade. Para Sérgio, essa continuidade familiar impacta diretamente os investimentos rurais. “Ninguém é eterno. Eu sempre digo isso. Se não vai ter sucessão, tu acaba não investindo. Quando a gente pensa em fazer alguma coisa, conversa: vamos fazer ou não vamos? E, sabendo que ele vai continuar, a gente pensa que vale a pena investir, porque ele vai seguir. A gente quer que eles aproveitem o que foi construído e tenham uma vida melhor aqui dentro”, afirma.
Tradição, comodidade e parceria financeira
Refletindo sobre as dificuldades do passado, Rosa Maria destaca o orgulho de ver os filhos atuando em condições melhores. “Nós sempre falamos que não queremos que eles façam o que nós tivemos que fazer. Nós somos do tempo de tirar pedra da roça, trabalhar com boi, fazer tudo de um jeito bem mais difícil. Então, o nosso orgulho é ver que eles estão seguindo, que estão crescendo junto com a gente e que não precisam passar pelo mesmo trabalho que nós passamos lá atrás. A gente quer que eles valorizem o que foi feito para eles terem a comodidade que têm hoje”, relata.
O suporte do crédito cooperativo tem sido fundamental nessa jornada. Sérgio aponta que a proximidade com a Cresol trouxe agilidade e segurança para planejar novos aportes na infraestrutura da terra. “É um jeito diferente de trabalhar. Tem mais abertura, mais proximidade, as pessoas conhecem a gente. Trouxe agilidade, trouxe crédito, trouxe bom atendimento. E, de certa maneira, também tem uma assistência para ajudar a pensar de que maneira é melhor fazer as coisas, porque não adianta liberar crédito se a pessoa não souber usar”, afirma.
O cenário da agricultura familiar no Brasil
O desafio vivido pelos Casagrande reflete um panorama nacional. Dados do Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2024 mostram que o Brasil conta com cerca de 3,9 milhões de unidades produtivas familiares, responsáveis por 10,1 milhões de ocupações. Contudo, o envelhecimento da população no campo — onde o grupo com 60 anos ou mais cresceu de 3,42 milhões para 4,33 milhões entre 2012 e 2023, enquanto a faixa de 14 a 17 anos caiu 31% — evidencia a urgência da renovação geracional.
O estudo aponta ainda que 99% dos jovens consideram os vínculos familiares essenciais para decidir permanecer na atividade, destacando o desejo de atuar na gestão e obter renda estável.
Perspectivas para o futuro da terra
Sem uma data fixa para a transição completa, Mateus enxerga o processo de forma natural. “Eu vejo a sucessão como meu pai me via, no caso, para seguir a propriedade. É difícil falar como vou viver daqui a dez anos, mas sempre me vejo aqui. A gente vai seguindo, melhorando e fazendo o que precisa ser feito”, diz.
Com o pequeno Yuri na família, a esperança é que o vínculo com a terra seja cultivado de forma espontânea, mantendo viva a essência da sucessão familiar na agricultura brasileira.