O Ministério Público do Paraná e a Polícia Civil deflagraram uma operação conjunta para apurar um suposto esquema de desvio de mantimentos e donativos que deveriam ter sido entregues às famílias afetadas pelo tornado que destruiu grande parte de Rio Bonito do Iguaçu em novembro de 2025.
Buscas e apreensões em órgãos públicos
Na última quarta-feira (2), agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão na cidade da região central paranaense. Os alvos foram a sede da Secretaria Municipal de Assistência Social e o barracão do Centro de Eventos, locais designados para o armazenamento de alimentos, roupas e outros suprimentos arrecadados para a população.
Conforme o Ministério Público, a investigação aponta o envolvimento de servidores e autoridades públicas. No entanto, os nomes dos suspeitos e seus respectivos cargos permanecem em sigilo enquanto o processo tramita nas instâncias judiciais.
Durante a operação, as equipes policiais recolheram documentos diversos e dispositivos eletrônicos, incluindo notebooks. Os equipamentos serão periciados para cruzar dados com relatórios de inventário, cadastros assistenciais e registros de distribuição dos auxílios.
Origem das suspeitas e transporte irregular
A investigação teve início após denúncias indicarem que veículos oficiais da prefeitura estariam sendo empregados para transportar materiais do acervo municipal e itens de doação para um endereço residencial na cidade vizinha de Laranjeiras do Sul.
Em uma das abordagens realizadas pela polícia, constatou-se que o uso do automóvel, do combustível e de servidores havia sido autorizado pela própria Assistência Social. Os produtos foram entregues na casa de um detento que cumpre pena em regime que permite a prestação de serviços externos no município vizinho.
Embora ninguém tenha sido preso preventivamente até o momento, a corporação policial investiga a hipótese de que os mantimentos tenham sido repassados a pessoas que não cumpriam os critérios de vulnerabilidade exigidos para receber o benefício.
Enquadramento legal e defesa da prefeitura
O caso é tratado como crime de peculato, tipificado no Código Penal como a conduta de funcionário público que se apropria de bens de que tem a posse por causa do cargo, ou os desvia em benefício próprio ou de terceiros. A legislação prevê pena de reclusão que pode variar de 2 a 12 anos.
Em nota oficial, a administração municipal declarou que recebeu a operação com surpresa, mas garantiu total cooperação com os órgãos de controle. O poder Executivo local sustentou que a distribuição dos recursos ocorreu de maneira idônea e que eventuais divergências apontadas no inquérito serão esclarecidas ao longo do processo.