A Justiça Federal determinou a inclusão de Curitiba e de três municípios da Região Metropolitana — Almirante Tamandaré, Itaperuçu e Rio Branco do Sul — como partes interessadas na Ação Civil Pública movida pelo governo paranaense. O processo exige a remoção dos trens de carga que cruzam zonas urbanas densamente habitadas.
Riscos e estatísticas alarmantes
A medida judicial abrange o Ramal Ferroviário Norte, uma extensão de cerca de 45 quilômetros. A principal motivação do Estado é o perigo iminente de desastres. Levantamentos da ANTT indicam que, no período entre janeiro de 2004 e agosto de 2025, Curitiba acumulou 437 incidentes ferroviários, o que coloca a capital paranaense no topo do ranking nacional de ocorrências desse tipo.
O cenário de perigo é reforçado por dados que mostram o Paraná com seis dos dez municípios mais perigosos do país para a circulação ferroviária. O problema gerou a primeira morte do ano em 2026, quando um homem de 45 anos foi atropelado no bairro Boqueirão.
Impacto urbano e sonoro
Além do fator segurança, a petição destaca a ineficiência econômica do traçado atual e o incômodo causado pela poluição sonora. O barulho constante dos comboios, sobretudo os apitos disparados durante a noite, afeta diretamente os moradores locais.
Na capital paranaense, a via férrea corta regiões estratégicas e populosas, a exemplo do Centro, Cabral, Alto da XV, Cristo Rei, Cajuru e Uberaba. O objetivo da gestão estadual é viabilizar a desativação ou o desvio dessas linhas antes que ocorra a assinatura da nova concessão da Malha Sul, programada para 2027.
Articulação política e novos rumos
Em sintonia com a via judicial, autoridades políticas e representantes do setor produtivo do Paraná têm pressionado em Brasília. O objetivo é garantir que a implantação do contorno ferroviário de Curitiba, juntamente com os ramais Leste e Oeste, seja obrigatoriamente inserida nas diretrizes do edital da Malha Sul.
Como parte desse trâmite, a ANTT promoveu em julho a segunda sessão pública da Audiência Pública número 11 de 2026 na capital paranaense. O encontro serviu para coletar sugestões para os estudos, minutas contratuais e editais da futura concessão.
Após a fase de triagem das propostas da sociedade, validação técnica da agência reguladora e fiscalização externa do Tribunal de Contas da União, a iniciativa poderá seguir rumo às etapas finais de regulamentação.