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Ex-assessor da Celepar suspeito de ser funcionário fantasma quer fazer Acordo de Não Persecução com o MP

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Ex-assessor da Celepar suspeito de ser funcionário fantasma quer fazer Acordo de Não Persecução com o MP

Lauro Rodrigues da Costa Neto, que ocupava o cargo de assessor da Celepar, informou ao Ministério Público do Paraná que deseja celebrar um Acordo de Não Persecução Cível. Ele é investigado num procedimento do MP que apura se ele era funcionário fantasma na estatal — ou seja, recebia salário, mas não exercia suas funções.

O interesse no acordo foi manifestado, em junho deste ano, pelo advogado José Carlos Madalozzo Junior — que defende o ex-assessor da Celepar. Lauro Rodrigues da Costa Neto está disposto a devolver todo o salário recebido durante o período que esteve nomeado na Celepar —  de janeiro de 2024 a janeiro de 2025.

Cálculos de técnicos do MP apontam que o valor bruto a ser devolvido seria próximo de R$ 300 mil, já atualizados, ou próximo de R$ 200 mil se for considerado o vencimento líquido. O Blog Politicamente não conseguiu confirmar a eventual celebração do ANPC.

A celebração do acordo importa na confissão de Lauro Rodrigues da Costa Neto de que de fato era funcionário fantasma na Celepar. O salário médio do ex-assessor na companhia foi de R$ 17 mil, segundo dados do MP. De acordo com o defensor, o ex-assessor da Celepar concorda em devolver os valores, mas de forma parcelada.

O Blog Politicamente teve acesso a documentos da investigação do MP. Inicialmente, a Celepar informou que Lauro Rodrigues da Costa Neto exercia atividades de forma híbrida, entre as cidades de Curitiba e Ponta Grossa. No entanto, a investigação concluiu que havia contradições no sentido de inexistir qualquer regime híbrido , já que “não foi indicado ato normativo que autorizasse a forma de trabalho realizado”.

Em depoimento tomado pela promotora Claudia Cristina Rodrigues Martins Maddalozzo, uma funcionária da Celepar, apontada como superior hierárquica de Lauro Rodrigues da Costa Neto, não soube responder o que ele fazia no escritório regional de Ponta Grossa. O Blog Politicamente não vai identificar o nome da servidora, já que ela foi qualificada como testemunha.

Da Câmara Federal até a Celepar

O fato da Celepar ter informado que Lauro Rodrigues da Costa Neto “trabalhava” tanto em Curitiba quanto no escritório regional de Ponta Grossa, guarda relação direta com seu padrinho político: Marcelo Rangel — deputado estadual, candidato à reeleição e ex-prefeito de Ponta Grossa.

Aliás, o ex-assessor da Celepar mantém há anos relação com Marcelo Rangel e também com Sandro Alex — candidato do PSD de Ratinho Junior ao governo do Paraná. De março de 2011 a julho de 2012, Lauro Rodrigues da Costa Neto foi assessor parlamentar de Sandro Alex na Câmara Federal.

Em 2013, Lauro Rodrigues da Costa Neto foi nomeado Controlador Geral do Município de Ponta Grossa pelo então prefeito Marcelo Rangel. Em 2023, quando Rangel assumiu a secretaria de Inovação Modernização e Transformação Digital, no governo Ratinho, Lauro Rodrigues da Costa Neto respondia pela diretoria de operações da pasta.

Alvo da operação Pactum

Em 2024, acabou sendo demitido por Marcelo Rangel depois que veio à tona uma investigação do Gaeco que apurava, no âmbito da operação Pactum, a existência de organização criminosa composta por agentes políticos, servidores públicos e empresários, voltada à prática dos crimes de fraude a licitações, tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Um dos investigados era Lauro Rodrigues da Costa Neto. O Gaeco chegou a pedir um mandado de busca e apreensão na casa dele, mas foi indeferido pela justiça de Ponta Grossa. O Blog Politicamente apurou que a investigação ainda está em curso inclusive a Justiça autorizou a quebra do sigilo fiscal e bancário do ex-assessor da Celepar.

É no início de 2024, que Lauro Rodrigues da Costa Neto ganha um cargo na Celepar — supostamente por indicação de Marcelo Rangel. Ele só é exonerado no dia 31 de janeiro de 2025 pelo diretor-presidente André Gustavo Souza Garbosa, segundo portaria número 022/2025. O motivo da exoneração? O MP passou a oficiar a Celepar pedindo informações sobre o trabalho exercido por Lauro Rodrigues da Costa Neto.

Agora em 2026, com a investigação ainda em curso, Lauro Rodrigues da Costa Neto manifesta o desejo de assinar um Acordo de Não Persecução Cível, a devolver todo o salário recebido, de forma corrigida, admitindo assim que era funcionário fantasma da Celepar.

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