Sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Cinco réus por tortura após 72 mulheres presas em clínica no PR

Ministério Público aponta cárcere privado, trabalho forçado e uso de sedativos em estabelecimento investigado em Terra Roxa.

Cinco pessoas são denunciadas após mais de 70 mulheres serem mantidas em cárcere privado e submetidas a castigos em clínica no Paraná

O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou denúncia formal contra cinco indivíduos investigados por envolvimento em crimes de tortura, sequestro e cárcere privado na Clínica Médica Vida Nova, situada no município de Terra Roxa, na região oeste do estado.

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Perfil dos suspeitos e operação

As investigações revelaron que 72 mulheres estavam internadas na instituição, muitas delas contra a própria vontade, enfrentando castigos físicos, trabalho forçado e isolamento de familiares. Entre os acusados estão o dono do local, que segue detido desde a ação policial realizada em setembro, além da administradora e dois terapeutas que atuavam na coordenação, todos indiciados por sequestro e cárcere privado. Um médico que prestava serviços no estabelecimento também foi denunciado, respondendo especificamente por crime de tortura. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelas autoridades.

As apurações foram conduzidas pela Promotoria de Justiça de Terra Roxa, com atuação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Na época da operação policial, a defesa da clínica declarou que o local estava colaborando com as apurações e reafirmou seu compromisso com a transparência e com a segurança das mulheres acolhidas. A clínica negou práticas desumanizadas, cárcere privado ou qualquer conduta fora dos parâmetros legais.

Condições de internação e punições

De acordo com o órgão ministerial, as pacientes — que incluíam pessoas com dependência química, transtornos mentais, idosas e portadoras de deficiência — eram internadas a pedido de terceiros ou familiares, sem que houvesse laudo médico ou consentimento das próprias vítimas. Os acordos financeiros eram firmados unicamente com os responsáveis financeiros, fixando prazos rígidos de permanência. A saída do local ficava condicionada à quitação integral das mensalidades e ao pagamento de multa rescisória em caso de rescisão antecipada, prática batizada internamente de “alta administrativa”.

Para impedir a fuga das internas, o estabelecimento utilizava artifícios como portões trancados, confinamento noturno em quartos e corredores, confisco de aparelhos celulares e monitoramento rigoroso de ligações telefônicas. O prolongamento arbitrário do período de internação também era aplicado como medida punitiva. A promotora de Justiça Gabriela Hanna Pereira, responsável pelo caso, afirmou na época da operação que algumas mulheres teriam sido levadas ao estabelecimento sem autorização legal.

“Há relatos de que vítimas foram capturadas por pessoas não identificadas e entregues à clínica sem nenhuma ordem judicial ou solicitação médica anterior”, disse.

Uso de sedativos e irregularidades

O inquérito revelou ainda registros sobre a administração forçada de medicamentos calmantes, chamados internamente de “danone”, com o objetivo de deixar as pacientes desacordadas. Além disso, a clínica operava sem médico psiquiatra ou diretor técnico responsável, deixando de repassar ao Ministério Público as notificações obrigatórias de internação exigidas por lei.

Pedidos de indenização e situação do local

Em paralelo às acusações criminais, o Ministério Público exige que os cinco réus sejam condenados ao pagamento de reparações por danos morais e materiais causados às vítimas. Apesar das graves acusações, a instituição não foi interditada de forma imediata. O MPPR justificou que não havia estrutura operacional para realocar todas as pacientes simultaneamente, prevendo uma desmobilização gradual, embora não existam dados recentes sobre a remoção das internas para outras redes de apoio.

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