Combinar vinho e churrasco exige atenção a diversos fatores, como o tipo de molho, o modo de preparo e o tempero utilizado na carne. Como existem diferentes tipos de cortes bovinos, com características únicas, não se pode dizer que somente um tipo de vinho seja indicado para churrasco. O objetivo dessa harmonização é aprimorar o sabor do prato, utilizando os rótulos corretos para limpar as papilas gustativas e preparar o paladar para a próxima garfada.
Cortes nobres e suas combinações
A picanha, tradicionalmente macia, marmorizada e com uma capa de gordura, é um corte nobre que merece um vinho à altura. A sugestão de harmonização é o argentino Norton Malbec DOC, elaborado em Mendoza, que apresenta boa acidez e taninos macios. É um rótulo que amadureceu em barricas de carvalho francês por 6 meses e passou mais 9 meses em tanques de concreto e 3 meses na garrafa.
Outro favorito é o filé mignon, um dos cortes mais apreciados por ter pouquíssima gordura e um sabor adocicado e menos acentuado que o de alcatra e contrafilé, exigindo um vinho francês sofisticado para acompanhar. O Le Clos de Reynon é um tinto de Bordeaux, elaborado pela prestigiada Domaine Denis Dubourdieu com a uva Merlot. É um vinho saboroso e de taninos macios que ressaltam a textura e os sabores dessa carne.
Por sua vez, a maminha é a parte mais macia da alcatra, suculenta e com sabor suave e combina bem com um tinto italiano Caldora Yume Montepulciano d’Abruzzo DOC, elaborado na região de Abruzzo com a uva Montepulciano. É um vinho com belos aromas frutados, notas de flores secas e especiarias. Possui taninos abundantes, porém maios, que irão complementar a delicadeza do corte. Já a alcatra, com pouca gordura e muito macio, é um dos cortes mais versáteis do boi e combina com o Corbelli Chianti DOCG, tinto italiano da região da Toscana com belos aromas de frutas, uma acidez refrescante e sabor.
Opções intensas e carnes com gordura
O contrafilé, também muito macio, possui uma capa de gordura lateral que mantém a umidade da carne. O sabor acentuado e o ideal é servi-lo malpassado ou ao ponto. Para harmonizar, a dica é um espanhol da Rioja, o Marqués de Tomares Reserva, um tinto espetacular que amadurece por 24 meses em barrica de carvalho americano e 24 meses em adega antes da comercialização. Elaborado principalmente com a uva Tempranillo, é encorpado, com taninos aveludados e excelente estrutura para aguentar a intensidade da carne.
A fraldinha é uma peça pequena, de fibras longas, que apresenta sabor incrível quando bem preparada. Em tiras generosas grelhadas, vai bem com o tinto Carolina Reserva Cabernet Sauvignon com seus aromas que lembram defumado devido ao estágio de 8 meses em barrica e taninos marcantes.
Carnes de preparo longo
A costela é uma carne delicada e riquíssima em gordura, que exige atenção, dedicação e paciência durante o longo preparo, esforço altamente remunerado com a variedade de aromas, texturas e sabores que aparecem quando ela está pronta. Para dar conta de tanta untuosidade, a dica é Carlos Montes Tannat Crianza, um vinho uruguaio complexo e com taninos maduros que vão melhorar ainda mais o sabor do corte.
Por fim, o cupim também é muito rico em gordura e exige longo tempo de cozimento por conta da fibra muscular e alta quantidade de gordura. Para acompanhar, a dica é o Monsaraz Reserva Alentejo DOC, um tinto português que passa 12 meses em barrica de carvalho e mostra-se amplo e intenso em boca.
BEBA MENOS, BEBA MELHOR.



