Sábado, 7 de novembro de 2026
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Agora Tornado F4 que devastou o Paraná completa um ano com trauma

Tornado F4 que devastou o Paraná completa um ano com trauma

Fenômeno extremo com ventos de até 418 km/h deixou 6 mortos, centenas de feridos e transformou 90% de município em 60 mil toneladas de entulho.

Tornado F4 que matou 6 pessoas e devastou cidade do Paraná com ventos de até 418 km/h completa um ano: 'Memórias difíceis'

Um ano após ser devastada por um tornado de categoria F4, a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, ainda lida com as marcas profundas deixadas pela tragédia que registrou ventos entre 332 km/h e 418 km/h na noite de 7 de novembro de 2025.

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A noite da tragédia e a destruição

O temporal atingiu o município de 14,3 mil habitantes de forma implacável, resultando na morte de seis pessoas e deixando pelo menos 835 feridos. Cerca de 90% dos imóveis locais foram destruídos, transformando o que antes era a paisagem urbana em mais de 60 mil toneladas de entulho que exigiram meses de limpeza e remoção para aterros da região.

Entre os sobreviventes está Wendi Luana Back, que comemorava a gravidez com o marido, Emerson Vargas, momentos antes da queda de energia provocada pelo temporal. “Para mim, foram dois sentimentos muito diferentes: o primeiro, de agradecer a Deus pela vida; de a gente olhar e estar todo mundo vivo, ninguém machucado, sem nenhum arranhão… e depois, desespero. De olhar e não ver mais nada, não ver a sua casa, ver tudo destruído, olhar para os vizinhos e ver as casas todas no chão”, relatou ela sobre os instantes de pânico em que a família precisou se abrigar no banheiro da residência.

Reconstrução e o peso das lembranças

Enquanto a pequena Mariana nasceu e hoje cresce com quatro meses de idade, os pais tentam seguir em frente na casa reconstruída tijolo por tijolo. No entanto, o trauma climático permanece vivo na rotina da família. “Tem as memórias difíceis, a gente sofre quando dá uma chuvinha um pouco mais forte…. É um ano para agradecer pela nossa vida, a vida da nossa família que está aqui”, destacam.

O impacto da tempestade também foi sentido de maneira trágica por Marilda Carvalho Risso, que perdeu o marido, Claudino Paulino Risso, soterrado durante o colapso da residência do casal enquanto ela estava em outra cidade. Ao ser questionada sobre a superação do luto após doze meses, ela resume o sentimento atual: “Mas eu acredito que, com o tempo, a gente vai se adquirindo, né”, e afirma que consegue sorrir apenas “por fora”.

Investimentos e múltiplos tornados no estado

Para reestruturar a região afetada, os governos estadual e federal destinaram cerca de R$ 110 milhões, com foco principal na recuperação da infraestrutura urbana. A paisagem mudou e hoje é dominada por telhados metálicos brancos, substituindo as antigas estruturas de madeira.

O evento extremo não se limitou a um único ponto. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental (Simepar) explicou que o avanço de um ciclone extratropical gerou nuvens de tempestade severas. “Algumas dessas nuvens, imersas em um ambiente de elevada instabilidade termodinâmica, intensificaram-se ainda mais, evoluindo para a categoria de supercélulas, com características de rotação em torno de seu eixo vertical. O cisalhamento vertical intenso do vento e o transporte de ar quente e úmido foram cruciais para a evolução das tempestades.”

No total, três tornados atingiram 11 municípios paranaenses naquele 7 de novembro. O primeiro fenômeno percorreu 75 km entre Quedas do Iguaçu e Cantagalo, atingindo sua força máxima em Rio Bonito do Iguaçu com uma faixa de destruição de 3.250 metros de largura. A força dos ventos foi tão extrema que arrancou a casca de árvores e arrastou uma colheitadeira pesando 16 toneladas, evidenciando o poder destrutivo das supercélulas que marcaram a história climática do estado.

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