TJPR anula condenação de mandante de morte após festa nazista
A Justiça paranaense determinou a anulação da sentença que havia condenado Ricardo Ferreira Barollo a 48 anos e 9 meses de reclusão pelo duplo homicídio de Bernardo Pedroso e Renata Waechter Ferreira, ocorridos em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Com a decisão tomada pela corte estadual, o réu deixará a prisão e será submetido a um novo julgamento popular.
Disputa por liderança extremista motivou o crime Conforme a acusação apresentada pelo Ministério Público do Paraná, o assassinato cometido em 2009 teve como pano de fundo a disputa pelo comando de uma facção neonazista que cultuava a ideologia de Adolf Hitler. As vítimas, Bernardo, com 24 anos, e Renata, de 21, foram executadas logo após deixarem uma celebração alusiva aos 120 anos de nascimento do ditador alemão.
Argumentos da defesa e uso de provas contestadas Os advogados de Barollo recorreram da condenação apontando que o plenário utilizou registros em vídeo de depoimentos colhidos em ações penais distintas, sem que a defesa tivesse oportunidade de contraditar tais elementos ou de ouvir novamente as testemunhas. Os magistrados acataram o argumento de que houve cerceamento de defesa, afastando a hipótese de preclusão e ordenando a realização de um novo Conselho de Sentença.
Posicionamento das partes envolvidas Em nota, o advogado Adriano Bretas, responsável pela defesa de Barollo, informou que “decisão representa o reconhecimento de uma ilegalidade que a defesa vinha apontando desde antes do julgamento”.
O defensor acrescentou ainda: “O próximo passo será a realização de um novo júri, agora com plena observância das garantias processuais, oportunidade em que a defesa demonstrará novamente a realidade e a necessidade de absolvição de Ricardo”.
Por outro lado, o assistente de acusação José Carlos Portella Junior, representante dos familiares de Renata Waechter Ferreira, declarou que espera “que Barollo seja condenado novamente e que retorne para a cadeia o mais breve possível”.
Outros envolvidos no caso O episódio judicial também envolveu o julgamento de outros coacusados no início de 2025. Na ocasião, Jairo Maciel Fisher recebeu pena de 32 anos e três meses, enquanto João Guilherme Correa foi sentenciado a 35 anos e dois meses de reclusão. Este último chegou a fugir do país, sendo localizado e preso meses mais tarde em território italiano em uma operação conjunta com a Polícia Civil paranaense. No mesmo julgamento, outros dois réus foram absolvidos pelas autoridades competentes.
