Prefeitura afastou a servidora e abriu processo administrativo. Polícia Civil investiga, e a professora nega
Uma professora concursada da rede municipal de Arapongas, no Norte do Paraná, foi afastada das funções sob suspeita de dar clonazepam, remédio de tarja preta conhecido pela marca Rivotril, a uma criança de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) para fazê-la dormir. A Polícia Civil abriu inquérito, e a prefeitura instaurou processo administrativo que pode levar à demissão. A professora nega as acusações.
A idade da menina não foi divulgada. Segundo a prefeitura, ela é do berçário, turma de crianças de 6 meses a 1 ano e 11 meses. O nome do CMEI é mantido em sigilo para proteger a identidade da aluna, que estudava numa sala com outras sete crianças.
Como o caso foi descoberto
A suspeita surgiu na tarde de quarta-feira (28). A diretora e outra professora do CMEI desconfiaram da colega e da irritação da criança e conseguiram gravar a cena. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, uma câmera de monitoramento registrou a professora dando o remédio a uma criança. Outra estava ao lado, mas não ficou comprovado que também tenha recebido o medicamento.
A delegada Camilla Costa Baptista disse que a denúncia chegou à Polícia Civil com dois vídeos gravados na sala. Segundo ela, as imagens mostram a investigada usando uma colher para colocar um líquido na boca das crianças. “Esse líquido a gente suspeita que seja o clonazepam porque, dentro da bolsa dessa professora, só havia esse remédio em forma líquida”, afirmou.
A polícia já ouviu as mães. Segundo a delegada, os relatos coincidem: há cerca de três meses, a maioria das crianças chegava da escola dormindo e tinha dificuldade para dormir à noite. As crianças passaram por exame toxicológico nesta sexta-feira (30), no Pronto Atendimento Infantil, com apoio da Polícia Científica. O resultado vai mostrar se uma ou mais crianças ingeriram o remédio.
O que diz a prefeitura
O prefeito Rafael Cita (PSD) gravou um vídeo nas redes sociais sobre o caso. “Eu determinei imediatamente o afastamento dela. Eu determinei que fosse feito o boletim de ocorrência na delegacia”, disse. Ele chamou o episódio de “ato isolado” numa rede com mais de mil profissionais da educação.
O secretário de Educação, Padre Lino Batista, disse que o caso foi comunicado ao Conselho Tutelar e que os pais das oito crianças da turma foram chamados para uma reunião. Sete compareceram. As famílias foram orientadas a levar as crianças para exames, e todas foram atendidas na Unidade Básica de Saúde. Segundo a secretaria, elas passam bem.
Remédios não podem ser dados nas escolas, e a suspeita é que a professora tenha levado o medicamento de casa. A prefeitura diz que sua atuação se limita ao afastamento e ao processo administrativo. A investigação criminal cabe à Polícia Civil.
O que é o clonazepam
O clonazepam é um calmante da classe dos benzodiazepínicos. Age no sistema nervoso central e tem efeito sedativo, ansiolítico, anticonvulsivante e relaxante muscular. No Brasil, só pode ser vendido com receita especial e exige acompanhamento médico.
O nome da professora não foi divulgado.
Na imagem, o prefeito de Arapongas, Rafael Cita. Reprodução/redes sociais
Publicado às 22h50 de 30/10/2026.



