Morte de menino após brincadeira no PR gera investigação

A Polícia Civil do Paraná está investigando as circunstâncias da morte de Luigi Gabriel da Cruz Sales, um menino de 12 anos que faleceu após se machucar durante uma brincadeira com colegas em uma escola estadual localizada em Castro, nos Campos Gerais.

Detalhes do socorro e cronologia

O acidente ocorreu por volta das 15h40 no Colégio Estadual Professor Basílio Chrum. De acordo com o delegado Marcondes Ribeiro, responsável pelo caso, o estudante só deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) às 16h25, ou seja, 40 minutos após pedir ajuda.

A instituição de ensino relatou ter acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a equipe teria recusado o envio de viatura por avaliar que não havia prioridade, orientando que a própria escola levasse o aluno. A direção pedagógica então aguardou a chegada da mãe para realizar o transporte até a unidade médica.

O delegado destacou que a corporação apura se houve falhas na prestação de socorro. “Vamos verificar se houve uma omissão ou uma inércia no atendimento médico, dado que o fato ocorreu por volta das 15h40 e a criança foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento somente às 16h25; ou seja, tem um lapso temporal muito grande, e vamos verificar se nesse período houve alguma omissão tanto da escola quanto de alguma equipe médica”, declarou Marcondes Ribeiro.

Atendimento médico e internação

Na UPA, o garoto passou por exames de imagem, incluindo uma tomografia, que diagnosticou um rompimento no rim. Devido à gravidade do quadro, ele foi transferido para o Hospital Universitário Regional de Ponta Grossa.

Na unidade hospitalar, Luigi foi submetido a uma cirurgia e permaneceu internado por mais de uma semana, mas não resistiu às complicações, tendo a morte cerebral decretada.

Versões oficiais e investigações

Em nota oficial, o Consórcio Intermunicipal do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (CimSAMU) informou que abriu um procedimento administrativo interno para revisar os registros do atendimento. O primeiro contato telefônico feito pela escola ocorreu às 16h12, sob a classificação de queda de mesmo nível.

Por sua vez, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) instaurou uma comissão para verificar os fatos internamente. A pasta garantiu que presta apoio aos familiares e à comunidade escolar.

Como ocorreu o acidente

Imagens de câmeras de segurança e depoimentos colhidos pela polícia indicam que o incidente aconteceu no pátio, durante o recreio. Sete estudantes participavam de uma dinâmica em que quatro colegas puxavam pelas mãos uma criança que estava abaixada para que ela se levantasse e caísse em pé.

No caso de Luigi, em vez de se equilibrar, ele caiu de frente e bateu o tórax diretamente no solo. O delegado ressaltou que a investigação trata o episódio como acidental, sem indícios de dolo ou intenção de causar danos por parte dos colegas.

“Não acredito, de forma preliminar, que houve uma intenção ou que algum adolescente assumiu risco de produzir resultado morte. Acredito até que não era previsível que, de uma brincadeira que a princípio seria ingênua, sem nenhuma maldade, ocasionaria a morte de alguma criança. Entretanto, como não é uma morte natural, é uma morte completamente extraordinária, nós vamos fazer a apuração bem a fundo”, afirmou o delegado.

O caso gerou forte abalo na comunidade local, onde o estudante também era reconhecido por sua atuação como atleta na Secretaria Municipal de Esportes de Castro.

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