Home Pato Branco Lula critica ONU em discurso na Cúpula da Celac e alerta para “maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra”

Lula critica ONU em discurso na Cúpula da Celac e alerta para “maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra”

0
Lula critica ONU em discurso na Cúpula da Celac e alerta para “maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o palco da Cúpula da Comunidade de Estados Latino‑americanos e Caribenhos (CELAC), realizada neste sábado (21) em Bogotá, na Colômbia, para lançar um forte ataque à Organização das Nações Unidas e cobrar uma postura mais firme da instituição diante da escalada de conflitos armados no mundo. O discurso, amplamente repercutido, foi marcado por um tom de indignação com o que o brasileiro classificou como omissão do principal órgão multilateral do planeta.
Entre os conflitos citados por Lula, o presidente destacou o ataque ao Irã, promovido por Estados Unidos e Israel desde o dia 28 de fevereiro. Em seu pronunciamento, Lula dirigiu críticas especialmente ao Conselho de Segurança da ONU, acusando a instância de funcionamento deficiente.
“Estou indignado com a passividade dos membros de segurança. Não foram capazes de resolver o problema da Faixa de Gaza, do Iraque, da Líbia, da Ucrânia, do Irã”, afirmou Lula ao lado de líderes de países latino‑americanos e caribenhos.
Em tom de análise histórica, o presidente afirmou que “o mundo de hoje está vivendo a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial”, referindo‑se ao período de 1939 a 1945. Para Lula, os efeitos dessas guerras vão além da esfera humanitária e se refletem em impactos econômicos, sociais e políticos globais.
“Os conflitos na Ucrânia, em Gaza, no Irã e tantos outros geram repercussões em todo o planeta, incluindo o aumento do preço da energia e dos alimentos”, alertou.
A preocupação do presidente com o cenário internacional se intensificou ao longo da fala. “Estou extremamente preocupado com o que está acontecendo”, disse Lula, sustentando sua crítica com dados da própria ONU, divulgados em setembro de 2025.
Segundo ele, os gastos militares globais alcançaram US$ 2,7 trilhões no ano passado, novo recorde histórico. Mais de 100 países aumentaram seus orçamentos de defesa, elevando o investimento em armamentos a um patamar inédito na história recente.
O presidente chamou atenção para o contraste com as necessidades humanas básicas. “Apenas 4% do total gasto em armamentos seria suficiente para erradicar a fome no mundo. E 10% bastariam para eliminar a pobreza extrema do planeta”, afirmou, usando a estatística para criticar as prioridades definidas pelas potências globais.
Apesar desse cenário, um relatório divulgado em 28 de julho de 2025 por cinco agências da ONU mostra que a fome recuou pelo segundo ano consecutivo. O documento “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI) 2025” estima que 673 milhões de pessoas viviam em situação de insegurança alimentar grave em 2024, o equivalente a 8,2% da população mundial, queda frente a 8,5% em 2023 e 8,7% em 2022.
O estudo destaca avanços importantes no sul da Ásia e na América Latina. Na região da Celac, a taxa de subalimentação caiu para 5,1% em 2024, representando 34 milhões de pessoas em situação crítica, ante o pico de 6,1% registrado em 2020.