O deputado federal Geraldo Mendes (União Brasil-PR) protocolou no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) a desistência de sua candidatura à reeleição para 2026. A movimentação ocorreu na terça-feira (25), logo após a Procuradoria Regional Eleitoral exigir a apresentação de certidões referentes a processos criminais que tramitam em segredo de justiça.
Detalhes do processo e exigências da Procuradoria
A manifestação do Ministério Público Eleitoral teve como base um relatório do Tribunal de Justiça paranaense. O documento apontou registros antigos já arquivados por ameaça e crime ambiental, além de anotações em varas especializadas em violência doméstica nas cidades de Curitiba e São José dos Pinhais. Como esses procedimentos correm sob sigilo, a entrega dos documentos é um trâmite padrão para apurar possíveis causas de inelegibilidade.
Justificativa oficial e futuro político
Em comunicado divulgado na quarta-feira (26), o parlamentar evitou comentar a solicitação da Procuradoria. Segundo o texto, a retirada do pleito decorre de motivos pessoais e do desejo de focar na estratégia política do governador Ratinho Junior (PSD). Mendes garantiu que continuará exercendo o mandato atual e que não pretende abandonar a vida pública. Com a renúncia, o pedido de registro será encerrado sem julgamento de mérito.
Trajetória em São José dos Pinhais
Natural de São José dos Pinhais, onde concentra sua principal base eleitoral, o deputado cumpre seu primeiro mandato na Câmara Federal após obter 71.990 votos em 2022. Nas eleições municipais de 2024, disputou a prefeitura local e ficou na segunda colocação com 40,56% dos votos válidos, perdendo para a reeleita Nina Singer (PSD). Mesmo com o revés, era considerado um forte candidato para futuros pleitos executivos na região metropolitana.
Articulações políticas no Litoral paranaense
Fora de sua zona eleitoral tradicional, o político tentou expandir sua influência para o litoral do estado, especialmente em Paranaguá, por meio de alianças com o prefeito Adriano Ramos (Republicanos). No entanto, levantamentos indicam que as entregas concretas foram limitadas. Entre as principais bandeiras divulgadas estava o projeto do viaduto na Avenida Roque Vernalha, estimado em R$ 73,6 milhões, cujas obras prometidas para janeiro de 2026 ainda não saíram do papel, mantendo os transtornos para os motoristas locais.
Na área da saúde, gestões para habilitar uma UPA 24 horas e repasses mensais de R$ 300 mil não se concretizaram até o momento, deixando a rede de atendimento sob pressão. Em relação ao programa estadual Asfalto Novo, Vida Nova, que destinou R$ 40 milhões a Paranaguá, a atuação do parlamentar restringiu-se ao apoio institucional, sem o envio de emendas próprias. Lideranças locais avaliam que a presença do deputado na região teve impacto reduzido diante dos desafios estruturais do município portuário.