O Bonde Urbano Digital encerrou suas operações na Região Metropolitana de Curitiba após um período de dez meses de testes e um investimento total de R$ 6 milhões. O projeto piloto, que fazia o trajeto entre as cidades de Pinhais e Piraquara, teve a sua fase de avaliação concluída e o veículo agora será devolvido à fabricante chinesa, conforme estabelecido em contrato.
Futuro do modal de transporte Cabe agora à próxima administração do Governo do Estado definir se haverá ou não a implementação definitiva do sistema de transporte na região.
Durante os dez meses de funcionamento, o projeto coletou dados operacionais importantes que servirão como base para análises futuras. A Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) informou que as informações serão utilizadas para comparar o desempenho do BUD com outras alternativas de mobilidade urbana, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o BRT elétrico.
Balanço da fase experimental O modal operou todos os dias com quatro horários estabelecidos, alcançando a marca de 633 viagens realizadas. Ao todo, o veículo percorreu 6.433 quilômetros e transportou 10.879 passageiros, registrando uma taxa de aprovação de 93,1% em uma pesquisa de satisfação aplicada com os usuários.
A Amep destacou que foram executados testes rigorosos de dinâmica, estática, nível de ruído, sistemas de segurança, comunicação, climatização, além de vistorias no diagrama de operação e no consumo energético. Uma eventual expansão futura exigirá a elaboração de estudos para a construção de garagens, oficinas, centrais de energia, centros de controle e estações de embarque e desembarque.
Como funcionava o transporte inovador A linha experimental cobria uma distância de aproximadamente 10 quilômetros, ligando o Terminal de Pinhais ao Terminal São Roque, em Piraquara, passando pela Rodovia Dep. João Leopoldo Jacomel e pela Avenida Ayrton Senna da Silva. A tarifa cobrada dos passageiros foi de R$ 5,50, equivalente à taxa do sistema convencional de ônibus, e o veículo atingia velocidades de até 70 km/h.
O projeto seguiu como referência a experiência aplicada em Campeche, no México, sendo que a tecnologia já opera em municípios chineses e passa por implantação na Austrália.
Tecnologia e autonomia elétrica Diferente dos tradicionais VLTs, o BUD não utiliza trilhos físicos. O veículo circula diretamente sobre o asfalto, guiado por indução magnética através de magnetos posicionados a cada um metro, formando um sistema conhecido como trilho virtual.
Com capacidade para comportar até 280 passageiros, o modelo é 100% elétrico e conta com baterias de íons de lítio de 600 kWh. O abastecimento de energia podia ser feito por um dispositivo no teto conectado à rede aérea. De acordo com o Governo do Paraná, eram necessários apenas 30 segundos de carga para garantir autonomia de três a cinco quilômetros, enquanto a carga completa, com duração de 12 minutos, assegurava até 40 quilômetros de funcionamento contínuo.
Embora possua tecnologia de orientação autônoma e não exija motorista para a condução, a fase de testes contou com a presença de um operador chamado de piloto auxiliar, permitindo a condução manual do veículo para fora do trajeto magnético quando necessário.



