Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Fim das bets pode injetar bilhões na economia e no comércio paranaense

Proibição dos jogos online estanca sangria financeira no estado e já provoca alta expressiva no consumo de supermercados

Paranaenses perdiam R$ 3,6 bilhões por ano para bets; proibição pode devolver dinheiro à economia do estado e impulsionar comércio

A suspensão das apostas online pode representar um alívio bilionário para a economia do Paraná. Um estudo elaborado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) aponta que os moradores do estado deixavam de gastar cerca de R$ 3,6 bilhões anualmente com os chamados jogos de azar virtuais. Com a recente proibição, a expectativa de especialistas é que essa verba retorne ao circuito produtivo local, estimulando o varejo e o atacado, além de provocar uma expansão estimada em R$ 2,3 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) paranaense.

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Impacto direto no comércio e consumo

O cenário nacional de circulação de capital em plataformas de apostas era expressivo, atingindo até R$ 30 bilhões mensais, conforme dados do Banco Central. Diante desse quadro, o Governo Federal editou uma medida provisória em 25 de setembro determinando a interrupção das atividades dessas plataformas.

Os reflexos dessa decisão começaram a aparecer rapidamente no setor supermercadista. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) registrou um crescimento de 6% nas compras familiares nos mercados durante as duas semanas seguintes ao encerramento das bets. Na região Sul do país, o índice de alta foi ainda mais expressivo, alcançando 9%, com forte demanda por itens essenciais da cesta básica, como café, óleo, arroz e macarrão.

Durante uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Abras, João Carlos Galassi, detalhou o cenário de escassez alimentar enfrentado pelos brasileiros. “Se projetarmos o que as famílias deixaram de consumir, somente nesse ano, as famílias brasileiras perderam mais de R$ 50 bilhões em alimentos consumidos diariamente pela população brasileira. […] O crescimento ocorreu em todos os formatos de varejo alimentar, com destaque para os canais frequentados pelas classes C, D e E – justamente as famílias que destinam uma parcela maior da renda à alimentação”, explicou.

Regulamentação, debates jurídicos e o futuro das normas

O histórico das apostas esportivas no Brasil teve início com a legalização em 2018, seguida pela regulamentação efetiva no final de 2023, período em que o poder público arrecadou aproximadamente R$ 15 bilhões por meio da taxação do setor. No entanto, o avanço do endividamento popular levou à reviravolta regulamentada no fim de setembro.

Por se tratar de uma medida provisória, a norma precisa ser analisada pelo Congresso Nacional no prazo limite de 120 dias. Cabe aos deputados federais e senadores decidir, até março de 2027, se a regra será convertida em lei definitiva ou derrubada. Enquanto isso, o ministro do STF Luiz Fux conduz ações judiciais sobre o tema, tendo promovido uma audiência pública com representantes governamentais, entidades civis e clubes de futebol para embasar o julgamento de oito ações distintas.

Danos sociais e o caminho para a recuperação

Para fundamentar a proibição, a administração federal avaliou que os prejuízos sociais e econômicos superavam amplamente os ganhos obtidos com a arrecadação de tributos. Entre os fatores preponderantes estavam o comprometimento da renda das famílias, o avanço do endividamento e os danos severos à saúde mental da população.

Histórias pessoais ilustram a gravidade da dependência digital. Um paranaense ouvido pela emissora RPC relatou ter enfrentado mais de quatro anos de dependência severa em apostas virtuais, enfrentando um colapso financeiro e familiar. “É um vício que você não sente o fim. Você não sente o dinheiro indo embora. Eu destruí a minha vida, eu destruí o meu casamento, eu destruí o psicológico de muitas pessoas que sempre me apoiaram, e isso, para mim, é o meu maior prejuízos”, desabafa.

Após buscar auxílio em 2024 em uma irmandade voltada ao tratamento de jogadores compulsivos, ele destaca a relevância do acolhimento terapêutico. “É muito importante que o jogador compulsivo procure o grupo. Existe um apoio muito grande, é uma irmandade, em que você é ouvido, sem preconceito, sem julgamento, e isso ajuda muito. Do meu primeiro dia até hoje eu me sinto muito acolhido”, conclui.

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