Sábado, 31 de outubro de 2026
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Estudantes de medicina do Paraná são expulsos por ataques a bolsistas

Universidade privada de Maringá concluiu sindicância após compartilhamento de ofensas e apologia ao nazismo em aplicativo de mensagens.

Alunos de Medicina do Paraná são expulsos e suspensos por ataques a bolsistas e alusão ao nazismo após eleições

Estudantes do curso de Medicina de uma faculdade particular localizada em Maringá, na região Norte do Paraná, sofreram sanções que incluem expulsões, suspensões e advertências após participarem de ataques virtuais contra colegas bolsistas e compartilharem conteúdos de apologia ao nazismo. As penalidades foram aplicadas após a conclusão de uma sindicância interna pela instituição de ensino.

Origem das agressões virtuais

Os episódios de hostilidade ocorreram em um grupo de troca de mensagens digital, logo após a divulgação dos resultados das Eleições de 2026, que apontaram a reeleição de Lula para a presidência do país. De acordo com a administração universitária, as punições variaram conforme a intensidade da participação de cada envolvido, embora o número exato de afetados por cada tipo de medida não tenha sido divulgado.

Em nota oficial, a instituição declarou que a UniCesumar comunica que concluiu no dia 30 de outubro a Sindicância Interna aberta para apuração dos fatos envolvendo mensagens trocadas em grupo de WhatsApp por alunos da Instituição. A faculdade também acrescentou que a Comissão de Sindicância recomendou e a Reitoria da Unicesumar decidiu pela aplicação de medidas disciplinares em relação aos alunos envolvidos, nos termos do Regimento Interno da universidade, além de ressaltar que a instituição repudia veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito.

Teor das conversas e símbolos nazistas

As conversas investigadas contconham comparações pejorativas entre os acadêmicos pagantes e aqueles que ingressaram no ensino superior através de políticas afirmativas, como o Programa Universidade para Todos (ProUni). Um dos participantes escreveu a seguinte frase nos registros: “Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha”.

Em contrapartida, outra acadêmica repreendeu as declarações preconceituosas e pontuou que o diploma será o mesmo para todos. “Virou bonito ofender quem não tem dinheiro para pagar toda a mensalidade, como vocês? Todo mundo aqui vai sair com CRM”, argumentou. Além dos ataques socioeconômicos, registros fotográficos do exército nazista e menções ao termo “leite cru” — associado a correntes da internet que defendem a supremacia branca — foram difundidas no mesmo ambiente virtual.

Investigação de órgãos oficiais

O caso chamou a atenção de autoridades federais e conselhos de classe. O Ministério Público Federal (MPF) confirmou a recepção de denúncias formais a respeito dos diálogos e conduz investigações em andamento.

Por sua vez, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) emitiu um posicionamento oficial repudiando os atos e destacando que tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza. O órgão regulador garantiu que acompanhará os desdobramentos legais para garantir rigor na apuração.

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