Receber o laudo de endometriose traz um alívio inicial ao explicar anos de sofrimento, mas a forma profunda da condição costuma deixar uma interrogação crítica: onde exatamente as lesões estão localizadas? A doença se manifesta quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo invadir estruturas como vagina, ligamentos pélvicos, bexiga, ureteres e intestino.
Os desafios para identificar os órgãos atingidos
A intensidade das dores não serve como parâmetro para medir a gravidade ou a extensão do problema. Um exemplo alarmante ocorre nos ureteres: dados apontam que até metade dos casos nessa região evolui sem nenhum sintoma urinário, o que pode gerar uma obstrução silenciosa e lesões renais irreversíveis se o diagnóstico tardar.
O intestino também apresenta armadilhas diagnósticas comuns, já que a colonoscopia tradicional costuma falhar. O exame visualiza apenas a camada interna do órgão, enquanto a endometriose se instala na parede externa.
O papel fundamental dos exames de imagem
As diretrizes internacionais transformaram a investigação médica, elevando os exames de imagem ao posto de principal ferramenta diagnóstica em detrimento da cirurgia exploratória. O ultrassom transvaginal com preparo intestinal destaca-se por examinar detalhadamente o reto e o sigmoide, enquanto a ressonância magnética pélvica atua como suporte em cenários complexos. Vale ressaltar que o ultrassom convencional, realizado sem protocolos específicos, frequentemente falha em detectar o problema.
“Para a cirurgia, mapear é muito mais importante do que apenas confirmar”, afirma Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda. “O melhor exame é aquele feito com protocolo para endometriose, por um profissional experiente. O exame correto é o que vai guiar o cirurgião no ato cirúrgico, por isso é tão importante”, explica.
Planejamento cirúrgico e equipe multidisciplinar
Conhecer a extensão exata da patologia determina a necessidade de equipes multidisciplinares — envolvendo urologistas ou cirurgiões do aparelho digestivo —, além de direcionar o tipo de intervenção, o preparo pré-operatório e as expectativas de recuperação da paciente.
Com mais de dez anos dedicados ao tratamento cirúrgico de quadros complexos, o cirurgião oncológico Tiago Castilho (CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844) emprega técnicas minimamente invasivas, como videolaparoscopia e cirurgia robótica, integradas a um planejamento focado no cuidado integral da paciente.



