Estudantes do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, situado em Cambé, na região norte do Paraná, realizaram um protesto na entrada da instituição nesta terça-feira (20). O ato ocorreu após a descoberta de uma câmera instalada no banheiro feminino do estabelecimento de ensino, gerando forte indignação entre os matriculados.
Descoberta do dispositivo e alerta antigo
O caso veio à tona na segunda-feira (19), quando uma aluna resolveu examinar de perto um aparelho afixado na parede do toalete que emitia uma luz vermelha intermitente. Ao verificar o objeto, constatou que havia uma lente gravando imagens por trás da estrutura plástica. Na mesma ocasião, um colega fotografou o sistema de monitoramento interno da escola e expôs como funcionava a captação de vídeos, exibindo as cabines e os espelhos do espaço.
Conforme registrado em boletim de ocorrência, as estudantes já tinham conhecimento de que havia um equipamento no local havia três anos. Contudo, na época, a direção havia argumentado que se tratava apenas de um sensor de fumaça para coibir o tabagismo no recinto. O documento policial aponta ainda que as jovens usaram recentemente a área comum do banheiro para trocar de roupa antes de uma sessão de fotos.
“Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares”, disse a estudante.
Posicionamento da instituição e reação oficial
Por meio de nota oficial, a escola admitiu a presença de aparelhos de vigilância, mas refutou a acusação de que a gravação atingisse o interior das cabines. A administração escolar declarou que o sistema visava acompanhar os acessos e reforçar a segurança interna.
A Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná determinou a remoção imediata dos dispositivos e garantiu que nenhum arquivo de imagem permaneceu armazenado. Uma comitiva técnica será enviada ao colégio para apurar os acontecimentos de perto. Paralelamente, a Polícia Civil do Paraná abriu um inquérito para investigar todas as circunstâncias do caso.