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Ataques a jornalistas nas redes crescem 74%

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Ataques a jornalistas nas redes crescem 74%

Monitoramento da CDJor contou 14.182 agressões no X e no Instagram entre 16 de agosto e 4 de outubro

A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) registrou 14.182 ataques a jornalistas e veículos de comunicação no X e no Instagram durante o primeiro turno das eleições de 2026. O ritmo piorou perto da votação: no início da campanha, a média era de 188 agressões por dia. Nos oito dias anteriores ao voto, chegou a 327, alta de cerca de 74%.

Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A análise cobriu 3,7 milhões de publicações e comentários.

Mulheres levam a maior parte dos golpes

Entre os ataques a jornalistas identificados pelo nome, 64,8% tiveram mulheres como alvo: 2.013 de um total de 3.106 registros. Os xingamentos incluíram insultos sexuais, ofensas misóginas e incentivo à violência física.

O relatório destaca três casos. Natalia Viana, da Agência Pública, foi atacada quando ainda procurava uma fonte, antes mesmo de a reportagem sair. Juliana Dal Piva virou alvo durante a repercussão de suas investigações sobre o caso Banco Master. Maria Cristina Fernandes foi agredida depois de um comentário na GloboNews sobre Nossa Senhora Aparecida.

Nos oito dias finais, a proporção se inverteu: os homens concentraram 55,1% dos ataques individuais. O resultado foi puxado pela ofensiva contra o jornalista Ricardo Noblat no X.

O alvo é a credibilidade

A disputa presidencial respondeu por quase 80% dos ataques em que foi possível identificar o contexto eleitoral. As eleições estaduais também alimentaram a onda.

Boa parte das mensagens tentava desmoralizar quem trabalha com notícia. Os termos mais comuns: “fake news”, “jornalista militante” e “imprensa golpista”, além de acusações de manipular pesquisas. Veículos de grande alcance, como g1, GloboNews, Folha de S.Paulo e CNN Brasil, entraram na mira.

No balanço do primeiro turno, o Instagram concentrou 61,8% das agressões. Na reta final, o X assumiu a liderança.

Como o levantamento foi feito

A CDJor trabalhou com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Durante 50 dias, a equipe acompanhou 652 termos e hashtags ofensivos. O ITS Rio mediu a toxicidade das mensagens com a Perspective API, ferramenta do Google.

Criticar uma reportagem faz parte do jogo democrático. O relatório descreve outra coisa: segundo o documento, a violência digital vai além da crítica ao conteúdo e funciona como intimidação, com efeito sobre a segurança dos profissionais e sobre a circulação de informação de interesse público.

Leia a íntegra: Cobrir as eleições, enfrentar a violência: uma análise dos ataques à imprensa no primeiro turno de 2026