Acidente na BR-373: polícia culpa motoristas por 23 mortes no PR
A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta quarta-feira (7) as investigações sobre a colisão frontal entre um caminhão e um micro-ônibus que resultou em 23 mortes e cinco feridos. O acidente ocorreu na madrugada do dia 19 de agosto, na BR-373, situada entre as cidades de Imbituva e Ipiranga, na região dos Campos Gerais.
Detalhes da investigação policial Segundo a delegada Ingrid Priotto, responsável pelo inquérito, as provas produzidas apontam que a colisão frontal foi provocada “por uma combinação de fatores envolvendo os dois veículos”.
Os problemas foram atribuídos exclusivamente aos motoristas e, como ambos morreram, ninguém será responsabilizado criminalmente. No entanto, as famílias das vítimas podem usar as informações contidas no inquérito para subsidiar processos na área cível, explica ela.
“Como ambos os motoristas que poderiam ser responsabilizados criminalmente faleceram no acidente, não há que se falar em responsabilidade na esfera penal. Contudo, todo o vasto acervo de provas periciais e conclusões coligidas no inquérito servirá para subsidiar e instruir eventuais processos na esfera cível, garantindo amparo legal para ações de reparação e indenização às vítimas e seus familiares”.
Dinâmica da tragédia na rodovia A batida aconteceu por volta das 3h30 em um trecho de pista simples no km 209 da BR-373. O micro-ônibus, pertencente à Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva, transportava pacientes para atendimento médico em Curitiba e região metropolitana.
Do total de 27 ocupantes do coletivo, 22 morreram — incluindo o motorista e duas crianças. Apenas cinco pessoas sobreviveram aos ferimentos, receberam atendimento médico e já tiveram alta. O condutor do caminhão, emplacado em Castro (PR), também morreu no local.
Irregularidades apontadas no caminhão De acordo com o inquérito, a perícia revelou “falhas graves” na condução e manutenção do veículo de carga. Dados de telemetria indicam que a carreta trafegava a 80 km/h em um trecho cujo limite era de 60 km/h, além de apresentar desgaste acentuado nos freios.
“A investigação também trouxe à tona um dado relevante: o motorista do caminhão conectou-se ao aplicativo WhatsApp cerca de 17 minutos antes da colisão. Para a Polícia Civil, é plausível que o condutor estivesse distraído com o uso do aparelho celular no exato momento em que invadiu a contramão”, afirma.
Excesso de velocidade do micro-ônibus O veículo da saúde municipal também estava acima do limite permitido. O cronotacógrafo digital indicou que o coletivo atingiu 101 km/h no momento do impacto, superando em 41 km/h o máximo regulamentado para a via.
“O depoimento de um dos passageiros sobreviventes corroborou os dados técnicos, relatando que o ônibus havia saído de Imbituva com 20 minutos de atraso e que o motorista dirigia de forma ‘apressada'”, conta a delegada sobre o caso, considerado pela PRF como o mais grave registrado nas rodovias paranaenses desde 2021.
