No centro do discurso, Requião Filho se apresenta como o nome que já está em campo, com adversários identificados, uma tese de projeto e uma frente política em construção. O plano passa por consolidar uma coalizão com a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), com a federação PSOL-Rede, com a federação Solidariedade-PRD, com o Avante e, ainda, atrair o PSB para indicar a candidatura a vice, cogitando inclusive o nome do senador Flávio Arns.
Ao analisar o cenário, o pedetista mirou em duas direções. De um lado, afirmou que Moro tem “recall do lavajatismo”, mas carrega um “extenso currículo de traições” e não suportaria um debate aprofundado de programa; de outro, descreveu o Palácio Iguaçu como um campo desorganizado, incapaz de definir o candidato do governador, enquanto o governo “queima pontes” e sua pré-candidatura tenta construí-las.
Requião Filho admite que não basta ter sobrenome, fazer oposição e invocar a memória dos governos anteriores; é preciso se tornar um polo de convergência. Por isso, trabalha para montar uma chapa que dialogue com a esquerda tradicional, com setores de centro e com partidos médios interessados em enfrentar, em condições competitivas, tanto o bloco governista quanto o bolsonarismo paranaense.
No conteúdo programático, o pedetista aposta em bandeiras de fácil compreensão pelo eleitor. A principal é a energia: ele criticou a privatização da Copel, acusou a companhia de cobrar caro e prestar um serviço pior, falou em possível reversão do processo e defendeu a estatal como instrumento de desenvolvimento, com energia mais barata para o agronegócio, a indústria e pequenos negócios.
Ele também procurou vincular sua imagem a uma agenda de produção e logística. Na entrevista, defendeu a ampliação de ferrovias, a criação de novos ramais, uma hidrovia no Oeste, contornos urbanos e obras viárias para desafogar o acesso a Paranaguá, argumentando que o Paraná cresce, mas a infraestrutura não acompanha e, sem logística, “a produção para na estrada”.
Na economia, o foco declarado é o pequeno empreendedor. Requião Filho disse que pretende zerar o ICMS das micro e pequenas empresas até 2033, sob o argumento de trocar imposto por emprego e de disputar diretamente o voto de quem trabalha, empreende e paga as contas no fim do mês, enfrentando a caricatura que a direita costuma atribuir à oposição.
Quando provocado sobre a polarização entre esquerda e direita, o pré-candidato preferiu deslocar a conversa para temas como energia, estradas, frete, escola e emprego. O movimento é apresentado como uma escolha de campanha: falar menos para a “bolha” e mais para o bolso do eleitor, para a produção e para a qualidade dos serviços públicos.
A grande incógnita está na amplitude da frente que ele tenta costurar. Se conseguir reunir a Federação Brasil da Esperança, a federação PSOL-Rede, a federação Solidariedade-PRD, o Avante e ainda atrair o PSB para a vice, Requião Filho deixará de ser apenas um nome competitivo da oposição para se tornar um candidato com lastro partidário, palanque robusto e tempo de TV suficiente para enfrentar duas máquinas: a do governo estadual e a do campo
Em síntese, o pedetista tenta convencer de que sua pré-candidatura reúne o que faltaria aos adversários: eixo, programa e rumo. Resta saber se essa promessa de ampla coalizão ganhará forma antes de o eleitor definir quem, de fato, tem condições de disputar o comando do Paraná.
